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POLÍTICA

“Europe: The Struggle for Supremacy, 1453 to the Present” de Brendan Simms (*)

2016-04-26 | Apresentado por Madalena Meyer-Resende
“Europe: The Struggle for Supremacy, 1453 to the Present” de Brendan Simms (*)

É o 1º livro que eu apresento por isso, vão ter que me desculpar, ainda por cima escolhi um livro um bocado grande que tem 600 páginas, portanto é assim um bocadinho o género de fazer a obra completa de Shakespeare em 35 minutos, mas é um livro que acho que vale imenso a pena ler e apresentar porque tem uma data de respostas às questões que nos vêm inquietando nos últimos anos.

A questão alemã, como é que ela se articula com a integração europeia e a questão alemã normalmente pode-se resumir em duas perguntas: a primeira é a Alemanha ser demasiado pequena para dominar o Mundo, embora já tenha tentado, e demasiado grande para a Europa, para se articular com os outros Estados Europeus.

A segunda parte desta questão é a Alemanha ter, na sua história, passado por períodos de enorme fraqueza e durante esses períodos ter tido imensa dificuldade em manter a sua soberania, ser um pouco um joguete nas mãos das outras potências europeias e, quando passa para a fase seguinte, é uma espécie de potência maníaco-depressiva, tem umas fases depressivas em que não consegue lidar consigo própria, depois há umas fases maníacas em que a Alemanha se torna forte e, às vezes, no século XX, agressiva e também é incapaz de lidar com a situação de instabilidade na Europa.

A questão, hoje em dia, é como é que a Alemanha encontra o equilíbrio entre estas dois estados, o estado de fraqueza e o estado de fortaleza, e se constitui como uma potência ordenadora da Europa.

Esta questão obviamente já foi lidada muitas vezes, por muitos autores, é também debatida em Berlim, aturadamente, esta questão de como responder à sua posição hoje em dia na Europa e este livro vem na senda de historiadores como A. J. P. Taylor e outros, mas de facto a sua priorização é original. É original porque a questão alemã normalmente é tratada, inicialmente, a partir de 1871, quando a Alemanha se unificou, no máximo a partir de 1848, e Brendan Simms vai a 1453, portanto vai 500 anos atrás, mas ao contrário do que possa parecer é um livro que é mais sobre a actualidade do que talvez os outros que começam em 1871, isso é um bocadinho o que se tira do livro.

O livro ajuda-nos a pensar em cenários que vão para além do século XX e isso faz-nos esquecer a 2ª guerra mundial, faz-nos esquecer a Guerra Fria, e faz-nos também esquecer o período em que as instituições europeias dominaram as relações entre os Estados Europeus. Isso ajuda-nos porque estamos numa fase de mudança. Estamos numa fase em que as instituições supranacionais estão a enfraquecer, novos modelos se procuram para as relações entre os Estados Europeus e as analogias históricas que se encontram nos séculos anteriores, desde o século XV até ao século XIX, podem ser inspirações interessantes para pensarmos na forma como as potências europeias se vão constituir.

Ainda ontem em Hanover vimos Obama com Merkel, Cameron e Hollande, portanto essa fotografia fez-nos pensar que, não estava lá o Presidente da Comissão Europeia e ninguém para representar Portugal, realmente estamos num momento de pensar numa nova estratégia para países pequenos como o nosso.

Portanto ele (o autor) apresenta muito a questão alemã numa espécie de uma relação sempre dinâmica entre a França, a Grã-Bretanha e a própria Alemanha, obviamente e, portanto, a Alemanha aparece como a maior potência continental e por causa da sua história com o destino e com o carácter particular. Há um tema comum aos vários períodos históricos que é esta tentativa  e este carácter alemão de ir para além do seu próprio estado, ou seja, se pensarmos em França, vemos a França como uma potencia continental que desde o século XII se ordenou como um estado nacional e temos a Alemanha que desde o século XII fez o oposto, ou seja, quando havia escolhas a fazer entre fazer uma construção estatal baseada no território, coerente, a Alemanha fazia sempre o oposto, escolhia sempre o Império versus a Nação. E a escolha do Rei Barbarossa em 1843 é também muito conhecida. Ele podia ter desistido da Itália e dito "Vou-me concentrar nestes territórios alemães" e não quis fazer isso por razões, talvez, económicas. A Itália era um território rico, mas também por razões do próprio Estado alemão e da própria ambição do Imperador que eram ambições universalistas, por um lado, e eram ambições religiosas, viam-se como continuadores do projecto do Império Universalista e o nome do Sacro Império Romano-Germânico não é só um nome é também um éthos do Estado.

Esta escolha determinou desde o século XII que a Alemanha foi um país, um território, um Estado fragmentado entre principados, bispados, ducados, sempre em guerra uns com os outros. O imperador que era eleito por eles era uma figura fraca, tinha poucos poderes e é óbvio que isto foi determinante para a história da Europa. Este território foi sempre a presa das grandes potências: França, Grã-Bretanha, Rússia. Nos vários períodos da História, o Sacro Império Romano-Germânico permaneceu uma construção anacrónica no momento em que os Estados se formulavam.

Também durante este período, até 1871, até à unificação, há outro tema que é interessante no livro que é a permanente escolha que a Alemanha tem que fazer e que os Imperadores têm que fazer entre uma aliança com a França e uma aliança com a Grã-Bretanha. E isto também é um tema de fundo do livro, Simms é um apologista da relação britânica, da conexão entre a Alemanha anglo-saxónica e usa imensos exemplos históricos para mostrar como a fórmula da aliança com a Grã-Bretanha é essencial para manter o equilíbrio europeu face às ambições francesas. Acontece isso com as invasões de Luís XIV, durante as invasões napoleónicas, durante a Guerra dos Sete Anos, portanto é um tema recorrente em que ele insiste bastante e vê-se sempre a França como a potência que lucrou com a fraqueza da Alemanha e isso fá-lo trazer para a linha da frente este tema das alianças britânicas.

Outro tema que é interessante também nesta fase é como, apesar da sua fraqueza, os destinos do sacro império eram vistos como fulcrais por todos os grandes Reis Europeus, era considerado que quem dominava o Império controlava o Mundo. Havia uma grande competição e um grande interesse sempre pela eleição do Imperador do Império e há uma pequena passagem que é importante para nós, é quando Filipe II de Espanha, o Filipe I de Portugal chamado pelos espanhóis o austríaco, dos Habsburgos, quando foi eleito imperador, emitiu uma moeda e na moeda estava inscrito "The world is not enough" e não é título do James Bond, eles foram roubá-lo a Filipe II, mas eles escreveram em latim porque os espanhóis não sabem falar inglês. Esta inscrição nesta moeda é realmente sinal de que o Império era, de facto, considerado a jóia da coroa de qualquer casa imperial europeia. Vê-se como durante todos estes séculos a questão da Alemanha era vista como crucial.

As coisas mudam de figura nos meados do século XVIII quando começa a criar-se no Norte da Alemanha a Prússia, é um novo Estado construído num momento de grande competição geopolítica, um momento em que o Império Austríaco, o Império Russo e a própria França, todos tentavam fazer ganhos territoriais naquela região e há uma dinastia alemã que começa a fazer grandes ganhos territoriais, começa a agregar uma série de territórios e constrói-se o primeiro Estado Moderno, um Estado baseado numa máquina militar que era simultaneamente uma máquina fiscal em que a política externa determina a formula interna de como o Estado Prusso se organiza.

Há um historiador publicista alemão Sebastien Haffner, não sei se já ouviram falar, ele escreveu imensos livros históricos muito engraçados, dois deles sobre a Prússia e sobre como a Prússia determinou o carácter agressivo da Alemanha no século XX e ele começa este livro da ascensão e da queda da Prússia exactamente pela história do seu pai fundador, Frederico O Grande, Frederico II, cujo destino ilustra o carácter da Prússia. Frederico II estava destinado a ser Rei da Prússia, era um rapaz de alma sensível, gostava de música, gostava de Filosofia, e Frederico II percebeu que o seu destino seria ser um Chefe Militar, resolve fugir com o seu melhor amigo e o pai vai atrás dele e mata o amigo e Frederico II torna-se no maior chefe militar e faz aquele famoso Palácio de Sanssouci em Potsdam que é uma das pequenas maravilhas da arquitectura. Apesar de ser amigo de Voltaire e de tocar flauta e de ser um chefe muito culto ele é basicamente um Chefe Militar e este destino da Prússia é visto pelo Sebastien Haffner como um destino um pouco fatal para a Alemanha. A unificação da Alemanha vai ser feita pela Prússia por um estado com um regime militar e autoritário extremamente marcado. A partir de 1848 a Prússia compete com o império dos Habsburgos  pela unificação alemã, acaba por ganhar sobre a grande liderança do maior chefe de estado do século XIX, Otto von Bismarck, e acaba por determinar exactamente a unificação da Alemanha em 1871 no palácio de Versalhes em grande vingança contra os franceses. E é aqui com esta unificação alemã e com o destino da Prússia neste Estado que é um tema que o Brendan Simms aborda ligeiramente e que é uma interrogação se a história da Alemanha se pode ver como uma história trágica. O século XIX alemão foi o século da maior cultura, da maior música, dos melhores filósofos, arqueologia, ciência, melhor sistema educativo e acaba como sabemos.

A primeira vez que este tema foi lançado para a praça pública na Alemanha, esta questão do Nazismo ser visto como uma história trágica, foi com o filme que se fez mais ou menos há dez anos que se chama "A Queda", que são os dez últimos dias de Hitler num bunker e é a primeira vez que se trata da figura de Hitler de uma forma séria que vai para além dos estereótipos. São os dez últimos dias de vida do Hitler num bunker, no fim da batalha de Berlim e o filme acaba com o suicídio do Hitler e quando os oficiais vão trazer o corpo do Hitler há uma música que é uma área da ópera de Purcell, Eneias, uma área extremamente trágica, em que Dido, que era a Rainha de Cartago, se ia matar e tem aquela linha "Remember me and forget my fate" que mostra que ela tinha tido aquela ambição de criar uma nova Roma em Cartago e todas as suas ambições acabam por cair por terra.

Esta questão da trajectória da Alemanha de 1871 até 1945 é tratada também de certa maneira neste livro exactamente com um paralelismo que Brendan Simms faz com a ascensão dos Estados Unidos da América. Ele faz uma história não Europeia da ascensão alemã e compara exactamente com um paralelismo histórico que os Estados Unidos acabaram por se unificar na mesma década em 1860, mais ou menos. E a tragédia é que os Estados Unidos conseguem transformar o seu poder num projecto internacional liberal, se tornam os lideres do Mundo. A Diana (presente na palestra) já nos fez muito bem essa história várias vezes dos debates de Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson no início do século XX e como eles se tornaram na base das instituições internacionais que se criaram: primeiro a Liga das Nações, depois as Nações Unidas; enfim o paralelismo é um pouco forte e os Estados Unidos conseguem transformar o seu poder num projecto positivo para o Mundo e a terra de Kant acaba daquela forma que nós sabemos.

E entretanto, o debate intelectual nos anos 20, por todo o início do século XX, não nos diz que isto foi um azar, os principais intelectuais da altura apoiavam este género de pensamento. Dois exemplos, os mais conhecidos: o romancista Thomas Mann, que era o maior escritor do princípio do século XX na Alemanha, apoiava o destino nacionalista e particularista, escrevia abertamente contra o intervencionismo liberal dos Estados Unidos. É interessante que quando a guerra se aproxima muda de ideias e escreve talvez o seu melhor livro "Dr. Fausto" em que acaba por retratar a história da Alemanha fazendo uma alegoria em que  conta a história de um compositor que vende a sua alma ao Diabo para escrever a sua melhor música, um pouco uma alegoria ao Hitler e à Alemanha em si que era compor o destino mais belo e todo o ambiente em que ele escreve é um ambiente extremamente claustrofóbico, muito provinciano, e é uma coisa também às vezes um bocadinho alemã, que se sente nalgumas cidades alemãs que é a maior produção artística e intelectual é feita em sítios extremamente pouco cosmopolitas, que do exterior parecem ser muito provincianos; outro exemplo é o filosofo Carl Schmitt que apoia a ideia de amigo/inimigo, que a política não é persecução independente do bem comum mas a defesa do que é nosso face aos inimigos. Carl Schmitt apoia o partido Nazi até ao fim, nunca se arrependeu, foi sempre visto como um dos maiores filósofos do século XX mas com esta pendente,  portanto não podemos dizer propriamente que tenha sido por acaso que a 2ª Guerra Mundial aconteceu.

A segunda parte livro é mais conhecida, não deixa de ser contada de uma maneira muito original, e começa com a questão da aliança britânica. Uma das histórias que Brendan Simms conta é o General De Gaulle, o presidente francês no exílio em Londres, em conversa com Churchill. Churchil diz-lhe que tem de convencer De Gaulle que a ideia de desmembrar a Alemanha depois da guerra talvez não seja muito boa, e lembra-lhe que a Alemanha existia antes da Gestapo, o que choca muito o General De Gaulle. Mas o facto é que os britânicos são os primeiros a apoiar a restauração do Estado Alemão no pós-guerra, logo a partir de 45, os franceses resistem até 49, e é apenas sob pressão americana e britânica que o Estado Alemão é restaurado e também resultado da Guerra Fria que tornava incomportável existir um vazio de poder no centro europeu.

Esta fórmula que se encontrou para a criação da Alemanha Ocidental é uma fórmula britânica ou anglo-saxónica. Brendan Simms lembra-nos disso e também de que os primeiros anos da integração, os anos 50 e 60, não são, propriamente, um mar de rosas da relação franco-alemã, pelo contrário, enquanto que a Alemanha fazia um trabalho progressivo, de pequenos passos, da restauração do seu Estado, da sua integração no sistema internacional através das instituições europeias, da NATO, etc., os franceses tentavam usar a construção europeia como forma de reafirmar o seu poder e tentam raptar os alemães para o seu projecto, opondo-se directamente às estratégias de Kennedy, às estratégias de integração da Grã-Bretanha nas comunidades europeias. Há aqui uma clara luta nos anos 60 pelo carácter da Europa, pelo carácter das instituições e uma recusa do que eu acho que é a evidência, e até diz o livro, que a integração europeia hoje em dia é baseada em três pilares. Não é baseada em dois, é baseada em três pilares e isso pode-nos deixar um pouco preocupados com o que está para vir.

Esta luta do General De Gaulle para manter a Grã-Bretanha fora das comunidades e transformar as comunidades numa continuação da grande França é um tema recorrente com que ele lida bastante bem.

A queda do comunismo e a unificação alemã são também tratados, obviamente, a unificação alemã é vista como um projecto apoiado, basicamente, pelos americanos. Tanto a França como, neste caso, ainda a Thatcher com a Grã-Bretanha, como a Rússia resistiram ao projecto da reconstrução do Estado Alemão em 1989. Foi um projecto altamente controverso em que a diplomacia alemã e a diplomacia americana estiveram lado a lado com as fileiras cerradas para fazer a unificação de forma muito rápida e, mais uma vez, a resistência francesa é bastante notada. Os resultados são aceites e acabam por ser positivos para a Europa de forma imediata com a criação do Euro e com 10 anos de integração europeia sob a hegemonia benévola dos Estados Unidos. A Alemanha permaneceu durante estes dez anos bastante introvertida a resolver os seus problemas da unificação, da criação do Euro, etc., reforçando os seus compromissos euro-atlânticos sendo a principal promotora do alargamento a Leste e é apenas no fim do milénio em 99/2000 que recomeça a ambição, em que se começa a ver o despontar de uma nova ambição alemã sobre a Federação Europeia e, de facto, é o fim do período da Lua de Mel.

Há aqui um grande momento constitucional: o projecto da Fundação Europeia. Às vezes é fácil esquecer o que se passou entre 2001 e 2003 e 2004, e que incluía várias coisas: incluía o redesenhar das instituições europeias, incluía o aprofundar do projecto de defesa comum, a chamada cooperação estruturada de defesa, implicava também a adesão da Turquia e resultou dum encontro raro destes três lideres da Grã-Bretanha, da França e da Alemanha sobre o futuro da Europa, portanto foi um momento de rara harmonia entre os três.

Em Dezembro de 2004, a Revolução Laranja, na Ucrânia, fez pensar que também implicaria a Ucrânia e que não seria apenas a Turquia a aderir. Era um grande momento e foi a última tentativa de dar forma à união política europeia que se tinha inscrito no Tratado de Maastricht. Implicava criar um novo élan para a integração europeia em que o domínio da segurança e da política comum era crucial, era uma nova fase depois da moeda e era completar um ciclo adicional de alargamentos - a Turquia na União Europeia e a Ucrânia primeiro na NATO e eventualmente também na União Europeia.

Aquela crise que começou em 2005 com o recusar dos franceses primeiro e depois dos Holandeses, do Tratado Constitucional, foi a primeira deste ciclo de crises que se têm entrelaçado umas com as outras. Já em 2013, a crise do Iraque fazia adivinhar uma nova posição alemã face às questões europeias e às questões internacionais, o Chanceler alemão Gerhard Schröder decide apoiar os Estados Unidos na invasão do Iraque e amarra a França à sua posição, mostra uma independência sem precedentes. A Alemanha afirma-se como uma potência, já não é um país excepcional na Europa. Tem estes seus interesses nacionais, não se subjuga aos ditamos dos Estados Unidos e dos Franceses e podemos ver aqui o início ou uma causa comum em todas as crises que se seguem é exactamente esta nova posição alemã de defender primeiro os seus interesses e talvez depois o interesse europeu.

Conhecemos bem a crise do Euro, vimos que as Instituições Europeias foram chamadas, que se fez o que era minimamente necessário mas não se avançou com medidas estruturais de mutualização da dívida e ficou óbvio que os grandes países não fizeram mais do que atingir os seus objectivos. A questão é exactamente se este foi um momento/uma crise particularmente difícil de resolver ou se a Europa está a encontrar um líder e se a Alemanha se está a constituir como líder Europeu.

Eu acho que o júri ainda está a deliberar, há sinais positivos e que nos apontam, por exemplo a forma como a Alemanha em parceria transatlântica com os Estados Unidos conseguiu resolver a crise da Ucrânia, é um bom sinal, um sinal de uma maturidade de visão estratégica que não podemos ignorar. Acho que na crise dos refugiados é mais misto, de facto aquele carácter liberal da sociedade alemã do pós-guerra, é fortíssimo, esta capacidade de formular esta política apesar dos riscos e os custos estão à vista e da própria sociedade de continuar, obviamente com limites, mas a acolher aquele número extraordinário de novos imigrantes e a posição de Merkel que é alvo de críticas. Eu também não fui a mais entusiasta quando ela começou com esta política mas tem o seu lado de liderança e o seu lado liberal altamente louvável. Acho que se vê, hoje em dia, por um lado uma Alemanha confortável na Europa, ao contrário dos franceses que tentam sempre tornar a integração europeia como uma continuação da sua grandeza, os alemães têm de facto aquele éthos imperial, que provavelmente já não é católico, já não é religioso, mas é um éthos liberal que acho que é visível na forma como a Alemanha se posiciona na Europa e que é uma boa base para construir uma cultura estratégica de liderança europeia.

Se tivermos de olhar para trás, para antes do século XIX, o modelo do Congresso de Viena e mesmo o Sacro Império Romano-Germânico, a forma como eles se organizavam para encontrar fórmulas liberais, acho que é uma forma que este livro nos oferece para pensar o que está para vir e como é que, ou se, vamos ultrapassar este ciclo de crises que nos têm vindo a preocupar. Para ele a relação britânica é essencial, aquela fórmula de Halifax. A questão fundamental é a aliança entre o poder marítimo e o poder industrial europeu. Há alguma verdade, acho que não é de desprezar, mas temos de esperar pelo referendo de Junho para ver se tem saída.

Obrigada.

Transcrição da palestra de Madalena Meyer-Resende. (*)